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A viola do diabo: notas sobre narrativas de pactos demoníacos no norte e noroeste mineiro

28/01/2010

Luzimar Paulo Pereira
doutor em antropologia cultural

resumo As narrativas sobre pactos com o diabo são importantes tópicos da vida musical, social e religiosa dos tocadores de viola de dez cordas do norte e noroeste do estado de Minas Gerais. Por um lado, elas apresentam, passo a passo, as regras de consecução do pacto e se caracterizam por serem bastante descritivas, apontando os lugares, os momentos e os objetos mais adequados à sua execução. São verdadeiras “receitas” para sua efetivação, apresentando um grande estoque de saberes relativos aos contatos com o diabo. Por outro lado, as narrativas também destacam o caráter pretensamente factual do evento. Para todos os efeitos, elas tratam de casos que se supõe terem ocorrido com alguém, num lugar e numa época específica. Dados referentes ao tempo, ao espaço e ao nome do personagem fornecem os parâmetros responsáveis por enquadrar uma pessoa que, viva ou morta, mantém ou manteve relações sociais efetivas com aquele que conta a história. Meu objetivo com esta apresentação é descrever e analisar alguns dos significados sociais e simbólicos dos relatos sobre pactos. Noutros termos, eu estou preocupado em entender de que modo as receitas e as histórias de supostos pactários se articulam no sentido de construir a figura pública de um tocador. Meu argumento é o de que os relatos são performances orais responsáveis por engendrar um campo de disputas específico, onde os violeiros e seus aliados se enfrentam em torno de suas reputações.

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