Início > artes do espetáculo, sessão 2, [3] comunicações orais > O jogo dramático e o espaço marginal como forma de resistência. CITAC: estudo-caso de um grupo de teatro universitário em Portugal

O jogo dramático e o espaço marginal como forma de resistência. CITAC: estudo-caso de um grupo de teatro universitário em Portugal

28/01/2010

Ricardo Seiça Salgado
doutorando em antropologia
ISCTE | Instituto Universitário de Lisboa
Centro em Rede de Investigação em Antropologia

resumo O jogo dramático como território de técnicas da aprendizagem teatral pode constituir-se como oportunidade para a construção de um espaço potencial, em grupo, onde opera a criação teatral e com repercussões no modo de estar e ser no mundo social. Aqui, a retórica do jogo como construção do self na sua dimensão política, serve para dar conta desse espaço-potência, possível pela capacidade do jogo dramático permitir a construção de um espaço imaginário livre das forças coercivas, ou à margem delas, onde os significados podem emergir, fora das expectativas do poder opressivo que, por exemplo, um governo ditatorial impõe. Como nos sugere Deleuze, a partir de Artaud, a construção de um corpo sem órgãos necessita da destruição de um organismo, não dos órgãos, mas do organismo enquanto organização estruturada em vista de um qualquer fim empírico, como nos diz José Gil.
Através do teatro, e por via das várias dimensões teatrais, o CITAC, grupo de teatro universitário existente desde 1956, em Coimbra, é um exemplo que dá conta do tipo de espaço que o jogo dramático pode produzir perante condições sociais hostis, transferindo esse saber-fazer da sala de ensaio para a vida real, expressando a cidadania com e através da arte. Antes e depois da revolução de 1974 em Portugal, através do teatro, foram capazes de produzir um espaço marginal (experimentando novas formas teatrais) que radicaliza o processo de emancipação, ao criar uma lógica própria, um mundo possível, capaz de escapar à censura (na ditadura vigente durante o Estado Novo), ou à estratégia disciplinadora emergente na nova democracia destruindo, de certa forma, “o organismo”. Assim, argumenta-se que é por via de uma marginalidade sem centro que a emancipação, enquanto prática de resistência, pode acontecer.

trabalho completo [clique aqui]

%d bloggers like this: