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Os liminares dentro da liminaridade: matutos e feiticeiras nas performances dos Pássaros Juninos de Belém (PA)

28/01/2010

Eliane Suelen Oliveira da Silva
mestranda em antropologia
bolsista Cnpq
Universidade Federal do Pará

resumo Os Pássaros Juninos ou Melodrama-Fantasia são uma brincadeira popular paraense que, composta pelo conjunto de teatro, música e dança, é apresentada em espaços públicos e privados durante a época junina. Os papéis brincados são de nobres, índios, matutos, feiticeiras e seres encantados, além do pássaro e do caçador, que tenta abater o animal. As tramas passeiam entre o melodrama e o cômico, abordando questões como família, conflitos amorosos e religiosidade. A partir de instrumentais teórico-metodológicos propostos por Victor Turner em sua antropologia da performance, o objetivo da comunicação será o de prestar reflexões sobre esta brincadeira, destacando uma análise de personagens que possuem condutas liminares nas narrativas brincadas: os matutos e as feiticeiras. Os primeiros, que agregam comicidade às histórias, são zombeteiros, medrosos e repletos de vícios, mormente sexuais, expressos em diálogos que exploram o duplo sentido e a subversão. Ao mesmo tempo são ingênuos e facilmente manipuláveis, sobretudo pelas feiticeiras. Estas, por sua vez, são mulheres poderosas e vaidosas, que amedrontam e seduzem simultaneamente. Através da prática de rituais, que evocam a pajelança e a umbanda, promovem tanto benesses quanto desordem social. Trata-se, portanto, de uma análise dos liminares (matutos e feiticeiras) dentro da liminaridade (performances dos pássaros juninos), onde sugiro, subsidiada por Turner, que tal brincadeira é uma agência de reflexividade sobre a cultura paraense.

trabalho completo [clique aqui]

 

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