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Perigo e criatividade nas performances cômicas de palhaços de folias de reis

28/01/2010

Daniel Bitter
doutor em antropologia
Depto. de Antropologia | Universidade Federal Fluminense

resumo Ao sinal do toque acelerado da sanfona e dos instrumentos de percussão, uma extensa roda de animados espectadores se forma, aguardando ansiosamente a entrada do palhaço, personagem mascarado da folia de reis. O palhaço pede licença ao dono da casa para iniciar sua performance espetacular a que todos chamam de brincadeira, na qual este personagem de aparência e gestos assustadores, irreverentes e debochados declama versos rimados e executa virtuosísticas acrobacias.

Em diversas regiões brasileiras, homens, mulheres e crianças se envolvem em amplas teias de reciprocidades sociais, em especial no período natalino, motivados por devoção aos Reis Magos do Oriente, configurando-se as chamadas folias de reis. O palhaço é um personagem marcadamente liminar, presente em algumas dessas manifestações e sua ambivalência simbólica é notória. Por um lado, os palhaços são associados às idéias de perigo e desordem e a valores moralmente negativos, e por outro, à própria imagem divina dos Magos. Essa ambigüidade evidenciada a partir das exegeses mitológicas e ritualmente nos usos da máscara é uma via privilegiada para a sua performance cômica e criativa.

Procura-se mostrar, por meio de dados etnográficos, que o palhaço exerce uma função ritual operatória central, por meio da qual reafirma-se valores e concepções cosmológicas fundamentais, bem como abre-se uma via para a renovação e emergência de novas idéias.

 trabalho completo [clique aqui]

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