Arquivo

Archive for the ‘sessão 4’ Category

O amor e a donzela no Teatro da Crueldade da Demanda do Santo Graal

28/01/2010 Comentários desativados

Maria Cristina Brito
doutora em letras [literatura comparada]
Departamento de Interpretação | Escola de Teatro | UNIRIO

resumo O estudo de “O amor e a donzela no Teatro da Crueldade da Demanda do Santo Graal” trata-se de uma pesquisa teórica e cênica desenvolvida no universo da novela de cavalaria do ciclo arturiano “A Demanda do Santo Graal”, que tem como objetivo o desvelamento da atualização desta obra, tendo em vista a teatralidade nela presente. Nesta perspectiva, partimos do conceito de teatralidade concebido por Antonin Artaud em sua poética “O Tetro e seu duplo”, onde através do mito do duplo, buscamos chegar ao teatro da crueldade concebido por Artaud e que se encena na novela arturiana. Para nossos estudos foi privilegiado um episodio da novela que trata do surgimento do amor na alma feminina, na filha do rei Brutos. Apaixonada por Galaaz, o cavaleiro perfeito, assinalado para encontrar o Graal, a filha do rei se divide no conflito de guardar esse amor para si mesma ou tentar realizá-lo revelando-o para o ser amado. Neste embate a flha do rei contracena com duplos de sua personalidade que se atualizam em personagens reveladores da mentalidade do contexto medieval em que está inserida, como a sua ama, com os valores do reino, e Galaaz, o seu objeto amoroso, com os valores da cavalaria. Nesse contexto a sua demanda de amor se confunde com a demanda do Graal fazendo do mito do duplo, a essencia da sua busca revelada no sentimento amoroso.

trabalho completo [clique aqui]

 

O «Teatro das orgias e dos mistérios» de Hermann Nitsch

28/01/2010 Comentários desativados

André Silveira Lage
doutor em literatura francesa
bolsista FAPESP [pós-doutorado]
Departamento de Artes Cênicas| Escola de Comunicações e Artes | Universidade de São Paulo

 

resumo Este artigo pretende apresentar as características principais do « Teatro das orgias e dos mistérios » de Hermann Nitsch, suas origens estéticas e suas implicações históricas, artísticas e filosóficas no contexto da arte austríaca do pós-guerra. Mostrarei o papel determinante do artista na Áustria, “o país da cultura, da mais modernista, de Schönberg a Karl Krauss, de Mach a Wittgenstein, de Freud a Schnitzler, mas também a terra de Hitler” (ONFRAY, 1998, p. 58), bem como as contribuições de suas “Aktions” – termo da língua alemã que denomina a arte da performance dos anos 70 e 80 – na elaboração de um novo conceito de arte, paltado, entre tantos aspectos, na reconciliação da arte e da vida, na releitura dos mistérios da paixão da idade média, nas procissões católicas, na sensualidade espontânea das festas populares, nas formas demoníacas dos velhos ritos de redenção e de fertilidade, na catarsis das grandes festas greco-romanas, ou ainda, num « outro uso estético e ético da carne » – que é um rito performático de esquartejamento e de evisceração da carne animal, um rito sanguinário, dionisíaco, catártico, cruel.

 trabalho completo [clique aqui]

Ritual e crueldade nas artes do espetáculo: potencialidades de percepção-ação do corpo

28/01/2010 Comentários desativados

Ricardo da Mata Barbosa
graduado em história
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Rodrigo dos Santos Monteiro
graduando em comunicação das artes do corpo
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

resumo A proposta de um teatro ritual, a qual Antonin Artaud dedicou grande parte de sua vida, quando voltada para as artes do espetáculo contemporâneas, permite que sejam feitas aproximações do seu conceito de crueldade com os atuais entendimentos das performances corporais. Crueldade, aqui, expandida dos termos que se voltam para o sofrimento físico ou psicológico, para um campo onde a percepção, entrelaçada com a experiência artística, é um ato potencial da transformação do ser.

Contemporaneamente, devido aos avanços teóricos sobre os estudos do corpo artista – corpo que ultrapassa os domínios da representação e promove (auto) transformação a partir da ação, do ato de perfomar – pode-se dizer que a herança do teatro artaudiano para a produção de espetáculos cênicos contemporâneos, quando embebidos da crueldade, volta-se para a potência que estes trabalhos têm de promover não uma cartase aristotélica, mas uma ressignificação de sentidos para o artista e o espectador. As mudanças ocasionadas vão desde o cognitivo individual de cada um, até a valorização em outros âmbitos da união coletiva.

O espetáculo como um ato performático, e também como um ritual, necessita da relação entre artistas e público para que se desenvolva como tal. Desta forma, o ritual acontece a partir do momento em que, tanto artistas, quanto os não-artistas, se fundem em um acontecimento (happening) visando outras possibilidades de vida em um terreno ainda escuro.

 trabalho completo [clique aqui]

As Bacantes e Teatro Oficina: a paródia e o grotesco bakhitiniano

28/01/2010 Comentários desativados

Maria Angélica Rodrigues de Sousa
graduada em ciências sociais [antropologia]

resumo Capturar e esmiuçar o uso do grotesco e da paródia bakhtiniana na montagem de As Bacantes, de Eurípides, pelo grupo paulistano Oficina, é uma das principais propostas do trabalho aqui apresentado. Buscar-se-á articular as impressões colhidas da experiência em campo – composta pela análise de ensaios, imagens e apresentações – ao conceito de carnavalização de Bakhtin, assim como às problemáticas teóricas da análise da performance e do teatro ritual. A intenção é ponderar sobre a performance do grotesco na concepção montada pelo grupo, e articulá-las ao uso antropológico destes conceitos, buscando esmiuçar a relação entre performance, etnografia e teoria.

A nudez presente na obra será utilizada para pensar o corpo como lugar do realismo grotesco, distinguindo o grotesco ambivalente, utilizado neste caso por comportar também um sentido positivo que expressa a idéia de comunhão e regeneração, do grotesco satírico, de função denegridora, como descrita por Bakhtin, também presente na montagem. Ambos os tipos grotesco são tomados como reforços da estilização paródica das falas e corpos dos atores do grupo. Em conclusão, o trabalho pensa as paródias e formas carnavalescas bakhtinianas em diálogo com os conceitos de liminaridade e liminóide de Victor Turner, por suas semelhanças no que se refere ao estranhamento e a suspensão do fluxo normal da vida cotidiana e dos processos centrais de produção simbólica.

trabalho completo [clique aqui]

Cena e contágio

28/01/2010 Comentários desativados

José Tonezzi
doutor em teatro
Departamento de Artes Cênicas | Universidade Federal da Paraíba

resumo Guiada pela compreensão de processos históricos e estéticos que compõem a relação e a percepção social dos distúrbios do corpo e da mente humana, a presente reflexão se configura em torno da contribuição trazida pelas disfunções do corpo e do comportamento para o processo de criação teatral e de experiência estética. Longe de significar uma prática de inclusão, de tolerância ou de compaixão para com excluídos sociais, a contaminação aqui diz respeito a uma prática que incide no trabalho de grupos e encenadores do teatro contemporâneo, como Pippo Delbono (Itália) e Robert Wilson (Estados Unidos). A reflexão identifica o momento de aproximação entre a atividade teatral e os distúrbios de ordem física e mental, concluindo que, embora atingindo sua maturidade bem recentemente, a apropriação cênica das anomalias tem suas origem nas exibições de feira do séc. XVIII, desenvolvendo-se nos entre-sorts e nos freak shows do séc. XIX, para se estabelecer efetivamente com o advento de movimentos artísticos, como a body art e a performance, no correr do séc. XX. O trabalho é fruto de pesquisa desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

trabalho completo [clique aqui]

Mais um “ir e vir” entre o teatro e a antropologia

28/01/2010 Comentários desativados

Isabel Penoni
mestranda em antropologia social
Museu Nacional | Universidade Federal do Rio de Janeiro

resumo Em Memory, reflexivity and belief, Carlo Severi faz uma distinção entre os tipos de ficção que se estabelecem no teatro e no ritual. O presente trabalho é uma tentativa de colocar em questão a hipótese do autor, ou, ao menos, de complexificá-la. Através de uma breve incursão por exemplos da cena ficcional contemporânea, assim como pela teoria da performance de Victor Turner e a filosofia teatral de Jerzy Grotowski, pretendo explorar a idéia de que no teatro, tal como Severi postulou a respeito do ritual, o que está em jogo é uma “enunciação complexa”. Especialmente quando se leva em conta que o “universo de verdade” do ator – de memórias e associações pessoais – é fator inerente à sua construção. Tal proposição me permitirá, por fim, formular certas perguntas, entre elas, se a mobilização de um “universo íntimo de verdade” também faria algum sentido para a construção de enunciadores rituais? De frente para essas questões, tentarei ainda esboçar algumas respostas, baseando-me nos resultados do meu trabalho de campo, realizado entre julho e agosto de 2009 na aldeia Kuikuro de Iptase (Alto Xingu, MT) – período em que aconteceu nessa localidade o ritual do Jawari, prestigioso ritual inter-tribal xinguano.

trabalho completo [clique aqui]