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Archive for the ‘sessão 5’ Category

Performances urbanas como reinvenção do monumento Chafariz

28/01/2010 Comentários desativados

Eloísa Brantes Mendes
doutora em artes cênicas
Instituto de Artes | Universidade Estadual do Rio de Janeiro

resumo No processo de urbanização do Rio de Janeiro, os Chafarizes barrocos (séc. XVIII), com a função vital de distribuir água para população, eram os principais pontos de sociabilidade da vida urbana, além das igrejas e dos mercados. Atualmente o estado de secura do Chafariz da Glória, assim como dos outros Chafarizes barrocos, é representativo do processo de privatização da água que, no final do séc. XIX, foi canalizada para dentro das casas. Hoje o Chafariz da Glória, que integra a memória da cidade, tem seu campo de visibilidade inexistente enquanto Chafariz. A sua falta de água torna o monumento indefinido e também revela modos contemporâneos de sociabilidade da vida urbana.
As interferências visuais (pixação), os usos cotidianos (mercado informal), a política de segurança pública (grades) e, num outro plano, a performance artística Baldeação (Intervenção Urbana, realizada pelo Coletivo Líquida Ação) estabelecem diversas formas de comunicação entre o Chafariz da Glória (1772) e a vida urbana cotidiana.
As performances, enquanto diferentes modos de interferência no monumento Chafariz seco (do grafiteiro, do vendedor, da segurança pública) ativam o monumento Chafariz na medida em que promovem outras formas de sociabilidade. A partir do conceito de arte contextual (Paul Ardenne), esta comunicação traça uma leitura da performance/Intervenção Urbana como meio de espetacularização do cotidiano, encarando a cidade como campo ampliado da arte.

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Estado pirata: cotidiano e suspensão na prática de performances na rua

28/01/2010 Comentários desativados

Maicyra Leão
mestre em arte contemporânea
Universidade Federal de Sergipe

resumo A partir da compreensão da Rua como ambiente público capaz de promover encontros de sutilezas e sinceridades, o texto elege a performance como mediador artístico que viabiliza sensorialmente a afetação de subjectos e sujeitos sociais, super-orientados esteticamente, que tornam-se autores de fatos e atos capazes de “roubá-los” de sua dimensão cotidiana.

O texto aborda ainda a questão da constituição do espaço, a partir das fronteiras e limites com seu entorno, buscando compreender como se configura o espaço da rua e como este se relaciona com o acontecimento efêmero da performance. Para tanto, partindo de investidas práticas, busca apontar alguns aspectos relevantes do acontecimento performático e a forma como esse se molda e é permeado pelo transeunte/habitante, que compõe o espaço público.

As intervenções artísticas são também contrapontos em relação ao espaço, tempo e movimento da cidade. Um corpo estranho que desvenda e ativa outros espaços de significados e memórias. Ela é realocada em um outro ambiente contextual onde o foco das pessoas que o configuram é disperso e desprovido de uma percepção “educada” para a arte.

Como ações norteadoras, apresentarei imagens e relatos de ações performáticas como “Experimentos Gramíneos”, “Afora”, “Zona de Confronto”, “Paulistanos” e “Cama”.

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Avesso ou Reverso: Registro-Performance?

28/01/2010 Comentários desativados

Maíra Zenun
mestre em sociologia
TRANSE | Universidade de Brasília
Luisa Günther
doutoranda em sociologia
Instituto de Artes, Departamento de Artes Visuais | Universidade de Brasília
TRANSE | Universidade de Brasília

resumo Serão desenvolvidas reflexões sobre “um troço pelo seu troco” (2009) registro de uma performance realizada com o intuito de questionar a estrutura de estratificação social do mercado de trabalho. Realizada enquanto intervenção crítica na realidade urbana, esta performance ocorre nos intervalos de um semáforo das ruas do centro de Brasília. Uma pessoa de tubinho preto e salto alto pede dinheiro aos motoristas enquanto remexe um copo de alumínio com moedas e exibe uma pintura emoldurada em dourado. Enquanto isso acontece, outra pessoa a filma a tira-colo escolhendo sua interlocutora principal entre outros possíveis. Ao equiparar o artista ao pedinte que mendiga esmolas esta performance questiona o valor da arte e do artista na sociedade. No entanto, ao apresentar esta ação sendo filmada esta performance toma uma dimensão mais irônica pela espetacularização de algo que os motoristas se esforçam em não ver. O fingimento incomodado é escancarado aos próprios olhos. É permitido não olhar aquilo que te encara? É o embaraçoso que embaraça a visão? Quem olha quer enxergar? … mas ninguém olha.

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Teatro de rua: tradição e urbanidade

28/01/2010 Comentários desativados

Renata Lemes
mestranda em artes
Instituto de Artes | Universidade Estadual de Campinas
Renato Ferracini

resumo O presente trabalho propõe discutir o teatro de rua como uma manifestação artística que apresenta aspectos de uma teatralidade que é ao mesmo tempo marcada pela territorialidade, identidade e tradição como também se elabora por meio de uma ação móvel, fluida e desterritorializada, atravessada pela urbanidade nas grandes metrópoles. O uso dos espaços públicos de ruas e praças pela manifestação teatral recompõe vínculos sociais e permite criar espaços de pertencimento entre o homem urbano e a cidade. Historicamente o teatro de rua sempre esteve á margem da produção teatral que figurava nos espaços ditos “oficiais”. Desta maneira, tomou para si um modo próprio de existência ligado á “resistência” tanto política quanto estética, revelando traços de uma sociedade desigual, na qual a participação ao espaço público tornou-se um privilégio privado, restando à maioria da população um aspecto cruel da urbanidade: não participar e não pertencer. Com o crescimento das grandes cidades, o teatro de rua se reinventa entre formas populares tradicionais e a face da metrópole contemporânea, experimentando no espaço urbano um novo sentido de pertencimento, daquilo que atravessa o campo da memória, imaginário de um povo e do território ao qual paradoxalmente pertencemos: a cidade.

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Pode o tempo ter lugar no corpo do performer?

28/01/2010 Comentários desativados

Gilberto Icle
doutor em educação
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

resumo Este trabalho procura evidenciar, por intermédio dos Estudos da Presença, como o tempo se materializa, se corporifica, no trabalho do performer. Para tanto, descreve-se o trabalho de criação do grupo gaúcho Usina do Trabalho do Ator em suas produções de teatro de rua. São discutidas três dimensões distintas e solidárias de tempo: 1) um illud tempus, tempo originário das narrativas populares, donde provém imagens e figuras para a criação; 2) um tempo poiético, no qual o trabalho meticuloso faz uma articulação entre tempo e espaço, corporificando a experiência do performer de maneira coletiva; e, 3) um tempo corporificado, dimensão na qual tempo e espaço se confundem, tranbordando a ideia de tempo como mera duração. Assim, torna-se visível a experiência da presença, como dimensão e efeito do trabalho artesanal de contornar, burlar os significados, circunscrevendo no corpo do performer e do público um tempo-presença. O trabalho toma como aporte teorizações diversas dentre as quais Foucault, Gumbrecht, Schechner e Pradier.

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Mujer salvaje – díptico I – Urbe

28/01/2010 Comentários desativados

Vera Wilner
Florencia Aletta

resumo Este poster ou gigantigrafia devém de um projeto aonde o conceito e a imagem se conjugam para criar uma situaçao psicológica densa e intensa. Trata-se do mito da mulher selvagem arquetípico ( la huesera, a loba , a selvagem) baseado no livro: Mulheres que correm com os lobos – Carisa Pinkola Estés). O projeto nasce da inquietude de Vera Wilner e Florencia Aletta sobre a mulher. Na realidade foi realizado com uma filmaçao e uma sessao de fotos. A protagonista (Vera Wilner) transita por diferentes instancias físicas e piscólogicas que se refletem nas imagens na sua totalidade (fílmicas e fotográficas). Esta mulher procura o mais instintivo que existe na sua femenilidade – “o selvagem”. Como todo o processo de realizaçao desta filmagem e fotos representa a mulher selvagem na urbe, este personagem desperta ao reconhecimento de seu ser mulher, procura reconhecer-se. Encontra e nao encontra o que seu ser, seu corpo poderiam sentir como o prazer de uma femea. Deste ponto adiante sua desesperaçao cresce em busca do seu ser mais primitivo, nos instintos das mulheres e das lobas: o prazer em seu ser, seu corpo, sua existencia. Como o prazer desta mulher nao pode ser totalmente encontrado pelo fato de estar numa urbe. Lamenta-se até um grito de desesperaçao. Se perde neste prazer-nao prazer, gira num espaço tosco, abrumador e perdendo a cabeça em voltas e giros deste espaço a encontrar!!!! Decide por fim fazer o único que para ela é possivel neste momento: o salto ao vazio.