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Archive for the ‘sessão 6’ Category

Congada: o significado cultural e performance dos dançantes de João Pinheiro (MG)

28/01/2010 Comentários desativados

Giselda Shirley da Silva
mestre em história cultural
TRANSE | Universidade de Brasília

resumo Este trabalho visa refletir sobre a Congada e a performance dos dançantes do grupo de Santa Luzia da Serra, distrito de João Pinheiro, noroeste de Minas Gerais, percebendo-a como parte das tradições locais. Objetiva perceber os sentidos da congada para os integrantes do grupo e a (re) criação da dança para os dançantes. A pesquisa etnográfica foi realizada através da observação, entrevistas com membros do grupo e fontes iconográficas. A congada é uma manifestação cultural importante em muitos municípios e mineiros está presente na história e na tradição de João Pinheiro. Foi por muito tempo uma das grandes tradições do município constituindo-se em um ritual de fé e festa, entrecruzando religiosidade e diversão. Segundo a memória coletiva das pessoas mais idosas da região, não sabem precisar o início dessa manifestação no município, narram que é muito antiga, todavia, desde a década de 1970, essa manifestação foi perdendo espaço, sendo recriada na última década. Muitas indagações surgiram ao observar esta dança e sua (re) criação, entre elas, o significado cultural para os dançantes, a forma como ela foi / é repassada as gerações mais novas, principalmente aos jovens que são integrantes do grupo, a contribuição da memória para a performance atual do grupo e a (re) criação da dança. O estudo revelou a ressignificação da dança no contexto contemporâneo, percebendo a reinvenção dessa tradição que está sendo repassada através da oralidade as gerações mais novas.

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A performance do olhar: a Congada de Santa Efigênia através do olhar de Johann Emanuel Pohl

28/01/2010 Comentários desativados

Sebastião Rios
doutor em sociologia
Universidade Federal de Goiás
Talita Viana
graduanda em
Universidade Federal de Goiás

resumo O trabalho apresenta o que e como o médico, botânico e mineralogista Johann Emanuel Pohl (1782 – 1834) viu na Congada de Santa Efigênia de Niquelândia GO à luz de uma pesquisa de campo atual sobre a mesma festa. Particularmente interessantes são também os valores, sentidos e significados que não foram por ele percebidos na festa, que é composta de cerimônias assaz ricas em significados difíceis de serem desvendados, alguns inacessíveis aos não iniciados, cuja complexidade passou despercebida a muitos de seus observadores e estudiosos – viajantes, folcloristas, etnógrafos, historiadores. O sentido dos versos cantados se completa na vinculação com a música, a dança e a performance de capitães e brincadores e remetem ao contexto do ritual e dos símbolos da festa, à sua dimensão sagrada.

A Congada de Santa Ifigênia remonta ao período da exploração de ouro nos tempos coloniais. Essa festa foi vista e descrita por Pohl em 1819, durante sua estadia no antigo Arraial de Traíras, hoje município de Niquelândia. Pohl fazia parte da expedição científica que acompanhou a comitiva nupcial da Arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que desposou Dom Pedro I, então Príncipe Herdeiro. Ele tinha o perfil da maior parte dos viajantes que aqui estiveram: “naturalistas” que buscavam, sobretudo, conhecer a geologia, a flora e a fauna, não raro deixando também relatos sobre os fenômenos sociais e culturais com os quais se depararam.

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Os maracatus adentram a avenida: Performances e rearranjos identitários na cidade de Fortaleza

28/01/2010 Comentários desativados

Danielle Maia Cruz
doutoranda em sociologia
Universidade Federal do Ceará

resumo Tenciono apresentar a pesquisa etnográfica que venho desenvolvendo, para o doutorado, com grupos de maracatus na cidade de Fortaleza, Ceará. Em estreito diálogo com autores como Victor Turner, Stanley Tambiah e Marcel Mauss a presente comunicação objetiva discutir acerca dos atos performáticos dos brincantes de maracatus que se apresentaram na cidade de Fortaleza no Carnaval do ano 2008 e 2009. Trata-se de desfiles fomentados pela Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR) cujo objetivo é, dentre outras coisas, “promover um carnaval que dispense trios elétricos e opte pela tradição”, conforme destacou a presidente da SECULTFOR. Subjacente a essas questões está a finalidade da atual gestão em promover idéias acerca de Fortaleza que a associem a uma cidade cultural, voltada às festas populares, desconstruindo imagens que a relacionam somente às belezas naturais, como as de seu litoral. Para tanto, o Carnaval é o período eleito pela gestão para que ocorram apresentações de determinadas manifestações populares como, por exemplo, os desfiles de maracatus na avenida Domingos Olímpio. O ponto a reter aqui é que para que os maracatus sejam contemplados com o apoio financeiro viabilizado pela prefeitura é solicitado pelo poder público que os brincantes tinjam a face de negrume, que apresentem na composição de seus grupos alas com negros, índios, reis e rainhas, dentre outros. Compreendo tais apresentações como relevantes momentos rituais em que os brincantes com suas máscaras e demais performances expressam suas visões de mundo, o que permite pensar sobre a resignificação de identidades culturais em Fortaleza.

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Nação do Maracatu Porto Rico: um estudo do carnaval como “drama social”

28/01/2010 Comentários desativados

Anna Beatriz Zanine Koslinski
mestranda em antropologia
Universidade Federal de Pernambuco

 

resumo O estudo da categoria de “performance” na antropologia teve seu início nas décadas de 60 e 70 numa parceria de estudos de Richard Schechner e Victor Turner que se tornou conhecido por seus estudos acerca de rituais. Ainda no início de sua obra Turner passa a utilizar o conceito de “drama social” como método de análise de certos eventos pois ele acreditava que a forma pelas quais as pessoas interagiam e as conseqüências de sua interação eram “dramáticas”. O presente artigo tem por objetivo analisar o período do carnaval como sendo um “drama social” para um maracatu-nação de Recife, no caso a Nação Porto Rico. Durante o carnaval desta cidade, diversas nações de maracatu competem através de um desfile pelo título de campeã do carnaval. Nesta competição diversos valores e aspectos culturais dos grupos são revelados através de um rico simbolismo. Deste modo utilizaremos os métodos de análise elaborados por Turner para entender a configuração deste “drama social”. Para isso levaremos em consideração as categorias de ritual, visto que os mesmos emergem de “dramas sociais”, communitas, configuração específica de interação social recorrente dentro de rituais, e performance, já que “dramas sociais” se tratam de “performances culturais”.

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Festa de São João: a performance como construtora da identidade étnica dos remanescentes quilombolas em São Domingos, Paracatu (MG)

28/01/2010 Comentários desativados

Vandeir José da Silva
mestrando em história cultural
TRANSE | Universidade de Brasília

resumo Esse trabalho tem como objetivo analisar a dança de Caretagem enquanto espaço de performance e reconstrução da identidade étnica dos negros na comunidade remanescente de quilombo em São Domingos, Paracatu (MG). Para a pesquisa, utilizou-se de etnografia, onde foram feitas gravações e fotografias durante a Festa de Caretagem. Adotou-se também diário de campo. A identidade étnica dos Caretas é reconstruída através da música e dança no espaço da Festa promovida anualmente pela comunidade. Essa vivencia no dia 23 para 24 de junho tornou-se local de memórias compartilhadas e repassadas de geração em geração. Os 30 homens mascarados sendo a metade caracterizados de cavalheiros e a outra de damas, dançam pelas casas da comunidade durante toda a noite, possibilitando a reconstrução da identidade étnica sendo percebida no renovar dos passos e fantasias que ocorrem de um ano para outro. Dessa maneira é celebrada uma homenagem para São João Batista, um espetáculo que envolve sagrado, profano, música, dança, máscara, cor e alegria na noite de São João Batista.

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Da ênfase do conteúdo para o modo de expressar os eventos etnográficos: as contribuições da Antropologia da performance para pensar o retorno dos emigrantes nordestinos às festividades juninas

28/01/2010 Comentários desativados

Greilson José de Lima
doutorando em antropologia
Universidade Estadual da Paraíba

resumo O presente trabalho busca discutir as contribuições teóricas e metodológicas da antropologia da performance para compreender os eventos etnográficas, nesse caso o retorno dos emigrantes nordestinos as festividades nas localidades de origem. No decorrer da análise, vou priorizar os desdobramentos teóricos e interfaces disciplinares que fomentaram o surgimento do paradigma conceitual da antropologia da performance e as reflexões do valor analítico do conceito de performance. A medita que a noção de performance senha sendo apresentada, serão colocados as inquietações teóricas a que ela pretende contrapor e o que propõe, seus diálogos e divergências. E de uma forma mais geral, os argumentos seguiram em torno da passagem da ênfase no conteúdo predominante nos estudos clássicos sobre rituais para a preocupação voltada para o modo de expressar a mensagem, própria da análise performática. Deste modo, contribuições teóricas clássicas sobre ritual, de autores como Durkheim, Van Gennep, Gluckman, Leach, Gregory Bateson e Turner serão analisadas em diálogo com os modelos explicativos particular a antropologia da performance (apontado por Turner, Schechner, Goffman, Geertz, Bauman, Dawsey e Langdon) ressaltando as particularidades teóricas do paradigma da antropologia da performance e questionamentos metodológicos que foi possível verificar a partir das experiências em campo e as formas de documentá-las, junto aos migrantes estudados.

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