Arquivo

Archive for the ‘sessão 2’ Category

Rezando em busca da visão: narrativas e performances rituais no Fogo Sagrado

28/01/2010 Comentários desativados

Aline Ferreira Oliveira
mestranda em antropologia social
Universidade Federal de Santa Catarina

 

resumo Neste trabalho tenho por objetivo retomar a reflexão de como são utilizados diversos meios para produzir uma experiência em relevo em contextos rituais de um movimento espiritual internacional conhecido como Fogo Sagrado ou Caminho Vermelho, em que as narrativas são recursos elementares usados pelos performers que rezam, interpretando suas experiências. Focarei em aspectos estéticos e semânticos das dinâmicas rituais, destacando os “rezos” produzidos no contexto de experiências iniciáticas da “busca da visão” – um retiro de vários dias em jejum na mata, que se dá num evento anual envolvendo rituais como o “temazcal”, uma espécie de sauna, e a “cerimônia de medicina”, em que se usam tabaco, ayahuasca, água e alimentos -, em eventos em que múltiplos meios comunicativos (como variações de luz, espaço, temperatura, cheiros, gostos, sons, ritmos, etc.) são acionados na produção de uma experiência intensificada que envolve o cantar e rezar com a participação ativa de todos os presentes. Nesse contexto, o uso do tabaco estabelece turnos de fala em que os participantes comunicam suas experiências através dos “rezos”: pedidos e agradecimentos num evento narrativo em que a construção de reflexões e a negociação dos significados envolvem dramas, risos, choros, monotonias e intensidades.

 trabalho completo [clique aqui]

Anúncios

Peregrinações do Corpo, da Voz e da Memória

28/01/2010 Comentários desativados

Rosana Baptistella
mestre em educação
Laborarte | Faculdade de Educação | Universidade Estadual de Campinas

resumo O artigo trata de Folias de Reis de três municípios da região do Rio Araguaia no estado de Mato Grosso – Ribeirãozinho, Araguaiana e Pontal do Araguaia – e reflete sobre possíveis desdobramentos destas pesquisas de campo para as artes cênicas e performáticas, à luz da Antropologia da Performance. São abordados aspectos como a suspensão de papéis e o fluxo da performance entre público e performers – flow – através de, respectivamente, Turner e Schechner, em diálogo com pesquisadores das artes cênicas, da antropologia e da filosofia. A pesquisa de campo é apontada aqui como um caminho para o artista cênico que pretende deslocar-se do seu lugar, descobrindo novas possibilidades, remexendo em suas memórias e criando novas vivências, atento às suas percepções. A integração entre corpo e voz, cantos e causos, danças e festas, público e performer, que se estabelece nesses campos e se potencializa nos mestres das folias e em alguns foliões é o que chama minha atenção como artista da cena. A sonoridade da fala e dos cantos, o movimento e a dança entram nas casas que os foliões visitam. Corpos ágeis e vigorosos lidam com o lúdico e com o sagrado. Brincam e protegem, na peregrinação que representa os Santos Reis. Há uma inteireza nas pessoas que vai além da estética e é isso que pretendo evidenciar.

trabalho completo [clique aqui]

Carne da canção: corpo e performance da palavra cantada no âmbito da música popular

28/01/2010 Comentários desativados

Conrado Vito Rodrigues Falbo
mestre em teoria da literatura

resumo A canção é uma forma artística bastante versátil cuja aparente simplicidade estrutural acaba por revelar um complexo sistema de relações entre palavra, música, corpo e movimento. Buscamos traçar as linhas gerais de uma abordagem analítica da canção popular focada em sua performance, situando o corpo, ou, mais precisamente, os corpos (do intérprete e do público) no centro das questões a serem consideradas na atividade de pesquisa. Encaramos o corpo como dimensão espacial da subjetividade (OSTROWER, 1996), com especial atenção à voz como agente de mediação intra e intersubjetiva (CASTARÈDE, 2004). Em relação à performance, nos aproximamos da noção aberta de “graus de performaticidade” (ZUMTHOR, 2005), baseada nas diversas modalidades de interação entre obra e público, inclusive nos casos onde há mediação tecnológica (SCHAFER, 1994). Esta visão aponta para a performance como importante paradigma estético ao considerar a obra artística em todas as fases de sua existência, levando em conta elementos anteriormente considerados acidentais no processo de significação e revelando tensões valorativas implícitas em certas práticas analíticas. A permanente relevância da canção na sociedade contemporânea e sua adaptabilidade às novas tecnologias a torna emblemática no campo dos estudos da performance, fornecendo subsídios para uma abordagem transdiciplinar tanto do ponto de vista analítico quanto artístico.

 trabalho completo [clique aqui]

O riso com (re)leitura: o processo de parodização da Bossa Nova pela Tropicália

28/01/2010 Comentários desativados

Victor Creti Bruzadelli
graduado em história
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais | Universidade Federal de Goiás

resumo Os procedimentos de produção e expressão da arte tropicalista são bastantes peculiares. Muitas das vezes o foco desses cancionistas está deslocado não para o que se canta (e se comunica com o público), mas como isso se dá. Esse dado é de extrema importância para se compreender a importância desse grupo de músicos no interior da música brasileira, já que estes abriram o universo musical para um enorme conjunto de idéias que nem sempre estiveram ligadas a ele. Na interpretação tropicalista, o riso se torna, em vários momentos, central, já que é a partir da evidência do cômico que se evidencia o processo de revisão crítica da música brasileira. À Bossa Nova, neste contexto, caberá um papel ambíguo, entre a sacralização e a desconstrução através da ironia e, sobretudo, da paródia. Neste trabalho, busca-se compreender como as interpretações (vocal, instrumental, corporal, entre outras) serão decisivas para a construção desta postura em relação à Bossa.

trabalho completo [indisponível]

“A palavra dita que é canção e a frase cantada que é fala” Maria Knébel e Stanislavsky sobre a performance oral

28/01/2010 Comentários desativados

Adriana Fernandes
doutora em etnomusicologia
Departamento de Artes Cênicas | Universidade Federal da Paraíba
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais
Robson Corrêa de Camargo
doutor em artes cênicas
Universidade Federal de Goiás
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais
Michel Mauch Rosa
graduando em artes cênicas | bolsista PIBIC/CNPq
Universidade Federal de Goiás
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais

 

resumo O presente trabalho levanta e discute alguns aspectos relevantes do treinamento da fala do ator apresentados por María Ósipovna Knébel em La Palabra en la Creación Actoral (2000). A autora foi discípula de Stanislavsky, colaboradora de Vajtángov e Chéjov e depois dirigiu e ensinou vários artistas russos. O trabalho faz uma resenha breve sobre o conteúdo do livro e então foca em seus três mais extensos capítulos: Análise por meio da ação; Técnica e lógica da fala; e Tempo-ritmo. Como o diretor russo faz várias menções e aproximações entre o trabalho da fala do ator com a estrutura musical, é sob a perspectiva musical na composição da fala, que interpretamos os apontamentos deixados por Knébel.

 trabalho completo [clique aqui]