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Archive for the ‘sessão 4’ Category

As performances de trova galponeira em situações distintas: A roda de trova e os concursos

28/01/2010 Comentários desativados

Gisela Reis Biancalana
mestre em artes
Universidade Federal de Santa Maria

resumo O foco deste estudo foi uma manifestação artístico-cultural popular: a trova galponeira praticada no Rio Grande do Sul. A investigação destes acontecimentos performáticos, voltou-se para as diferenças observadas nas duas situações encontradas em pesquisa de campo: a roda de trova e os eventos competitivos. A Trova é uma poesia cantada no improviso. Suas performances são realizadas em desafio por dois ou mais trovadores e acompanhadas por músicos que tocam o acordeom. A roda de trova acontece a partir de formações espontâneas de trovadores, em acontecimentos festivos, ou em reuniões de amigos e familiares. Aqui as performances não têm tempo delimitado podendo estender-se por horas. O assunto vai tomando consistência até esgotar um dos desafiantes que propõe o verso de despedida, completado pelo adversário. Estas performances são marcadas pela alegria e liberdade de expressão. Existem também os eventos competitivos que possuem regras gerando cobranças de pontos. Estas performances, além de premiar financeiramente os vencedores, dotam-nos de status social perante o grupo. Elas são cobertas pela pressão dos jurados e dos adversários, o que provoca uma forte expectativa de acerto nos praticantes. Esta expectativa fomenta o esforço em busca da qualidade na elaboração da estrutura poética, bem como, na abordagem dos conteúdos. Assim, ao analisar suas performances notou-se que a trova gaúcha possui qualidades peculiares em cada uma das duas situações encontradas em campo.

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Transir rústico. Transgressão Lírica. O movimento poético-musical da Nova Cantoria de Elomar Figueira Mello, Dércio Marques e Xangai

28/01/2010 Comentários desativados

Eduardo Cavalcanti Bastos
doutorando em arte cênicas
PPGAC | Universidade Federal da Bahia

resumo A apresentação revela o processo de investigação e inscrição da Nova Cantoria, protagonizada pelos poetas-cantadores Dércio Marques, Elomar e Xangai, como movimento artístico. São analisados aspectos etnográficos, culturais e espetaculares. Primeiramente é proposta uma cartografia para o movimento da Nova Cantoria, utilizando-se de referencias históricas vinculadas à arte medieval, à Cantoria Nordestina, à Literatura de Cordel e as tradições orais. Por intermédio dessas evidências, individua-se a gênese da Nova Cantoria, que se dinamiza de acordo com a transgressão de caracteres performáticos e culturais, entre gêneros poético-musicais e questionamentos identitários. Segundo autores das ciências humanas, filosofia e arte elabora-se um panorama cultural para o movimento, no qual são revistos conceitos identidade nacional, cultura popular e de raiz, que servem para uma melhor inscrição deste no panorama artístico e cultural brasileiro. Sob os auspícios das teorias do espetáculo, articula-se a representação dos novos cantadores, utilizando-se análises de Paul Zumthor, Jorge Glusberg, Patrice Pavis e da Etnocenologia, que apóiam exames e descrições dos principais traços performáticos de cada um dos poetas-cantadores, exibindo tipologias que se mantém como aspectos intrínsecos na caracterização do movimento poético-musical, tendo ainda como representação ilustrativa, do conjunto constituído pelos três cantadores, a obra “Auto da Catingueira” de Elomar Figueira Mello.

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A performance da música regional no triângulo mineiro

28/01/2010 Comentários desativados

Márcio Bonesso
mestre em ciências sociais
Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Triângulo Mineiro

resumo O objetivo da comunicação é avaliar a performance da música regional no Triângulo Mineiro. Interpretada sobre o aspecto conceitual do pensar e fazer musical (Cirino 2009) as criações e execuções das estruturas musicais e dos processos rituais dos artistas regionais, apesar de variarem bastante, tem em comum quatro aspectos: 1) se contrapor aos estilos da música sertaneja vinculada aos grandes meios de comunicação de massa, já que as cidades de Uberlândia e Uberaba (juntamente com Goiânia) são consideradas cidades que “respiram” a música sertaneja no Brasil; 2) vincular suas produções estéticas as duas “principais” manifestações populares da região: os grupos de folias de reis e os ternos de congos, moçambiques, catupês, marujos, vilões – grupos ligados as Irmandades de negros; 3) valorizar uma formação instrumental que priorize a viola caipira (folias de reis) e os tambores (congado) excluindo outros instrumentos considerados modernos; 4) incorporar nas suas criações musicais estruturas harmônicas, melódicas e rítmicas das manifestações populares regionais (células rítmicas do congado; melodias e harmonias das folias de reis) e da música caipira as variedades de afinações e de ritmos/harmonias. O trabalho visa compreender nesses quatro aspectos do pensar e fazer musical como são as configurações nas formas expressivas de executar, interpretar, compor e improvisar dos artistas: Pena Branca & Xavantinho, Orquestra de Viola do Cerrado, Trem das Gerais, Luiz Salgado e EmCantar.

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A viola do diabo: notas sobre narrativas de pactos demoníacos no norte e noroeste mineiro

28/01/2010 Comentários desativados

Luzimar Paulo Pereira
doutor em antropologia cultural

resumo As narrativas sobre pactos com o diabo são importantes tópicos da vida musical, social e religiosa dos tocadores de viola de dez cordas do norte e noroeste do estado de Minas Gerais. Por um lado, elas apresentam, passo a passo, as regras de consecução do pacto e se caracterizam por serem bastante descritivas, apontando os lugares, os momentos e os objetos mais adequados à sua execução. São verdadeiras “receitas” para sua efetivação, apresentando um grande estoque de saberes relativos aos contatos com o diabo. Por outro lado, as narrativas também destacam o caráter pretensamente factual do evento. Para todos os efeitos, elas tratam de casos que se supõe terem ocorrido com alguém, num lugar e numa época específica. Dados referentes ao tempo, ao espaço e ao nome do personagem fornecem os parâmetros responsáveis por enquadrar uma pessoa que, viva ou morta, mantém ou manteve relações sociais efetivas com aquele que conta a história. Meu objetivo com esta apresentação é descrever e analisar alguns dos significados sociais e simbólicos dos relatos sobre pactos. Noutros termos, eu estou preocupado em entender de que modo as receitas e as histórias de supostos pactários se articulam no sentido de construir a figura pública de um tocador. Meu argumento é o de que os relatos são performances orais responsáveis por engendrar um campo de disputas específico, onde os violeiros e seus aliados se enfrentam em torno de suas reputações.

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(Em)cantos das Almas: a Recomenda das Almas em Correntina (Bahia)

28/01/2010 Comentários desativados

Eduardo José Reinato
doutor em história social
Pontifícia Universidade Católica de Goiás

resumo Este estudo propõe-se a fazer um diálogo com o a prática do ritual, da performance, tomando como fonte as encomendadeiras de almas de Correntina, na Bahia. Durante a Semana Santa, um grupo de mulheres se dispõe a rezar paras as almas, pois acreditam que sua reza alimente as almas, sobretudo as que ainda vivem vagando e em desespero. Esse ritual das Encomendadeiras de almas ao longo desta década foi transformado em performance, e descontextualizado de seu espaço, forma e tempo. O trabalho foi desenvolvido junto a encomendadeiras ou rezadeiras da cidade de Correntina(BA), e tinha como objetivo principal a simples coleta das formas de tradição religiosa musical, das quais eram portadoras as rezadeiras ou encomendadeiras. Posteriormente, ele evoluiu para um estudo mais detido sobre a prática performática das encomendadeiras e sua recriação enquanto grupo para exibições públicas e articulações políticas em defesa do meio ambiente.

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