Archive

Posts Tagged ‘folia de reis’

Folia e fé: performance e identidade nas festas de Santos Reis em João Pinheiro (MG)

28/01/2010 Comentários desativados

Maria Célia da Silva Gonçalves
doutoranda em sociologia
TRANSE | Universidade de Brasília

resumo Esse trabalho objetiva investigar como a Teatralidade e a Performance Ritual da Folia de Reis escrevem as memórias ligadas à religiosidade dos foliões do município de João Pinheiro-MG. Participar das Folias de Reis implica sair do cotidiano e viver o contexto da partilha, do encontro, por meio do ritual da festa. A performance dos foliões apresenta uma linguagem que faz surgir as mais diversas leituras e interpretações. A festa é um lugar de memória coletiva, em que a identidade de cada um se constrói/reconstrói intermediada pela arte popular. O corpo do folião é lúdico e também um corpo ritual, sacralizado, que sabe o valor da religiosidade repassada de geração a geração por meio da oralidade. A cada apresentação, esses conhecimentos são reinterpretados, (re)siginificados e, assim, preservam a memória coletiva e a tradição deste povo. O emprego das técnicas etnográficas se justifica por acreditar que o pesquisador deve mergulhar no universo pesquisado, buscando muito além do ver, ele deve vivenciar as práticas culturais de seus narradores.

 trabalho completo [clique aqui]

A máscara e sua força simbólica: um breve estudo etnográfico

28/01/2010 Comentários desativados

Renato Mendonça Barreto da Silva
mestrando em artes visuais
Programa de Pós-graduação em Artes Visuais | Universidade Federal do Rio de Janeiro

resumo Este presente trabalho promove um breve olhar sobre o campo de pesquisa, ocorrido em Dezembro de 2008, na cidade Muqui – ES, com a finalidade de alicerçar algumas dúvidas sobre como se manifesta a relação do Palhaço da Folia de Reis com a materialidade da máscara e como sua imaterialidade promove interferência na formação identitária do sujeito. Entendendo a máscara como objeto constituinte da performace do palhaço, indicaremos uma breve concepção teórica do conceito de máscara e como ela se manifesta em diferentes culturas, e como a cultura estabelece formas de se observar a máscara dos palhaços da Folia de Reis que tem com base empírica a apreciação etnográfica que evidencia os aspectos malignos da máscara e sua relação com a igreja da cidade.

trabalho completo [indisponível]

 

Perigo e criatividade nas performances cômicas de palhaços de folias de reis

28/01/2010 Comentários desativados

Daniel Bitter
doutor em antropologia
Depto. de Antropologia | Universidade Federal Fluminense

resumo Ao sinal do toque acelerado da sanfona e dos instrumentos de percussão, uma extensa roda de animados espectadores se forma, aguardando ansiosamente a entrada do palhaço, personagem mascarado da folia de reis. O palhaço pede licença ao dono da casa para iniciar sua performance espetacular a que todos chamam de brincadeira, na qual este personagem de aparência e gestos assustadores, irreverentes e debochados declama versos rimados e executa virtuosísticas acrobacias.

Em diversas regiões brasileiras, homens, mulheres e crianças se envolvem em amplas teias de reciprocidades sociais, em especial no período natalino, motivados por devoção aos Reis Magos do Oriente, configurando-se as chamadas folias de reis. O palhaço é um personagem marcadamente liminar, presente em algumas dessas manifestações e sua ambivalência simbólica é notória. Por um lado, os palhaços são associados às idéias de perigo e desordem e a valores moralmente negativos, e por outro, à própria imagem divina dos Magos. Essa ambigüidade evidenciada a partir das exegeses mitológicas e ritualmente nos usos da máscara é uma via privilegiada para a sua performance cômica e criativa.

Procura-se mostrar, por meio de dados etnográficos, que o palhaço exerce uma função ritual operatória central, por meio da qual reafirma-se valores e concepções cosmológicas fundamentais, bem como abre-se uma via para a renovação e emergência de novas idéias.

 trabalho completo [clique aqui]

Peregrinações do Corpo, da Voz e da Memória

28/01/2010 Comentários desativados

Rosana Baptistella
mestre em educação
Laborarte | Faculdade de Educação | Universidade Estadual de Campinas

resumo O artigo trata de Folias de Reis de três municípios da região do Rio Araguaia no estado de Mato Grosso – Ribeirãozinho, Araguaiana e Pontal do Araguaia – e reflete sobre possíveis desdobramentos destas pesquisas de campo para as artes cênicas e performáticas, à luz da Antropologia da Performance. São abordados aspectos como a suspensão de papéis e o fluxo da performance entre público e performers – flow – através de, respectivamente, Turner e Schechner, em diálogo com pesquisadores das artes cênicas, da antropologia e da filosofia. A pesquisa de campo é apontada aqui como um caminho para o artista cênico que pretende deslocar-se do seu lugar, descobrindo novas possibilidades, remexendo em suas memórias e criando novas vivências, atento às suas percepções. A integração entre corpo e voz, cantos e causos, danças e festas, público e performer, que se estabelece nesses campos e se potencializa nos mestres das folias e em alguns foliões é o que chama minha atenção como artista da cena. A sonoridade da fala e dos cantos, o movimento e a dança entram nas casas que os foliões visitam. Corpos ágeis e vigorosos lidam com o lúdico e com o sagrado. Brincam e protegem, na peregrinação que representa os Santos Reis. Há uma inteireza nas pessoas que vai além da estética e é isso que pretendo evidenciar.

trabalho completo [clique aqui]