Arquivo

Posts Tagged ‘identidade’

Teatro de rua: tradição e urbanidade

28/01/2010 Comentários desativados

Renata Lemes
mestranda em artes
Instituto de Artes | Universidade Estadual de Campinas
Renato Ferracini

resumo O presente trabalho propõe discutir o teatro de rua como uma manifestação artística que apresenta aspectos de uma teatralidade que é ao mesmo tempo marcada pela territorialidade, identidade e tradição como também se elabora por meio de uma ação móvel, fluida e desterritorializada, atravessada pela urbanidade nas grandes metrópoles. O uso dos espaços públicos de ruas e praças pela manifestação teatral recompõe vínculos sociais e permite criar espaços de pertencimento entre o homem urbano e a cidade. Historicamente o teatro de rua sempre esteve á margem da produção teatral que figurava nos espaços ditos “oficiais”. Desta maneira, tomou para si um modo próprio de existência ligado á “resistência” tanto política quanto estética, revelando traços de uma sociedade desigual, na qual a participação ao espaço público tornou-se um privilégio privado, restando à maioria da população um aspecto cruel da urbanidade: não participar e não pertencer. Com o crescimento das grandes cidades, o teatro de rua se reinventa entre formas populares tradicionais e a face da metrópole contemporânea, experimentando no espaço urbano um novo sentido de pertencimento, daquilo que atravessa o campo da memória, imaginário de um povo e do território ao qual paradoxalmente pertencemos: a cidade.

 trabalho completo [indisponível]

Identidade Açoreana através das Festas do Espírito Santo

28/01/2010 Comentários desativados

Gyorgy Henyei Neto
graduado em ciências sociais
Universidade Federal de São Carlos

resumo As festas do Espírito Santo são conhecidas como uma prática tradicional na região dos Açores. Tal evento é capaz de produzir uma noção de identidade regional dos Açores, tanto quanto seu corpo social. Enquanto trabalha para ser incluído como uma parte de Portugal, membro de seu ambiente cultural, os Açoreanos procuram se construir, criando sua identidade, como “os melhores Portugueses”.
A partir de uma fonte de razão simbólica, a identidade Açoreana pode ser manufaturada para ser, em um mesmo corpo social, “o mesmo e o diferente”, enquanto cria sua identidade através de técnicas corporais, interpretando o meio e a herança culturais, entendendo os símbolos e os significados destes símbolios, a noção de pessoa, de self, de outro e de “grupo de semelhança”, a sociedade, utilizando sua cultura e razão simbólica, é capaz de produzir a identidade individual e a identidade dentro do “grupo de semelhança”.
O Festival do Espírito Santo começa sete dias depois do dia de Páscoa. Existem diversos símbolos, ritos e mitos que podem ser compreendidos como uma dádiva a Deus, ou ao Santo. A Dádiva – como Marcel Mauss descreveu a troca ritual e simbólica de bens e relações – que é mais comumente visto no festival é o pão e as sopas do Espírito Santo. Que são distribuídos para o povo como uma lembrança da distribuição de alimento aos pobres pela Rainha Isabel. Portanto, pode ser dito que uma identidade, trazida de volta pela herança cultural, tradição e razão simbólica, expressa os valores e noções do povo Açoreano.

 trabalho completo [clique aqui]

Folia e fé: performance e identidade nas festas de Santos Reis em João Pinheiro (MG)

28/01/2010 Comentários desativados

Maria Célia da Silva Gonçalves
doutoranda em sociologia
TRANSE | Universidade de Brasília

resumo Esse trabalho objetiva investigar como a Teatralidade e a Performance Ritual da Folia de Reis escrevem as memórias ligadas à religiosidade dos foliões do município de João Pinheiro-MG. Participar das Folias de Reis implica sair do cotidiano e viver o contexto da partilha, do encontro, por meio do ritual da festa. A performance dos foliões apresenta uma linguagem que faz surgir as mais diversas leituras e interpretações. A festa é um lugar de memória coletiva, em que a identidade de cada um se constrói/reconstrói intermediada pela arte popular. O corpo do folião é lúdico e também um corpo ritual, sacralizado, que sabe o valor da religiosidade repassada de geração a geração por meio da oralidade. A cada apresentação, esses conhecimentos são reinterpretados, (re)siginificados e, assim, preservam a memória coletiva e a tradição deste povo. O emprego das técnicas etnográficas se justifica por acreditar que o pesquisador deve mergulhar no universo pesquisado, buscando muito além do ver, ele deve vivenciar as práticas culturais de seus narradores.

 trabalho completo [clique aqui]

Entre a fé o o remelexo: Samba de Terreiro, um fio de preservação da cultura negro-africana no Brasil

28/01/2010 Comentários desativados

Jacqueline Barbosa dos Santos
mestranda em ciência da arte
Companhia Folclórica do Rio | Universidade Federal do Rio de Janeiro

resumo O Brasil, em face da sua colonização por diferentes povos, com suas peculiaridades, apresenta um cenário cultural rico em manifestações. Observamos que em muitas delas a religiosidade esteve sempre presente como uma forma de resistência e preservação de costumes, fortalecendo o reconhecimento identitário. É nessa esfera, da religiosidade, que encontramos interseções e encontros que nos levam ao universo do sincretismo religioso e da comunhão entre festa e fé. Entre tantas manifestações está o objeto desta pesquisa: o Samba de Roda de Terreiro, o qual escolhemos por acreditarmos ainda haver nesse manifesto marcas da resistência da identidade negro-africana, tendo a mulher como liderança nas comunidades de terreiro. Perguntamos então: Como o Samba de Roda de Terreiro hoje nos conta sobre a história e constituição de um povo, dentro de um quadro de escravidão e preconceitos?
Esta pesquisa se propõe a entrar no universo da Cultura Popular pela vertente da Dança, pensando esses corpos negros e mestiços malemolentes, sensuais e altivos, sendo o corpo morada, este fio que interliga céu e terra, este corpo que é habitat do sagrado, adotando como corpus o Samba de Roda de Terreiro, manifestação presente em territórios religiosos que festejam e celebram a fé na festa.

trabalho completo [clique aqui]

Identidade(s) em Performance nas Festas de Capela

28/01/2010 Comentários desativados

Márcia Chiamulera
mestranda em ciências sociais
Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais | Universidade Federal de Santa Maria

resumo Este trabalho pretende apresentar e refletir sobre as performances produzidas em Festas de Capela, um tipo específico de festa que se apresenta no contexto rural da região da Quarta Colônia de Imigração Italiana no Rio Grande do Sul. A análise das performances dos organizadores, na situação específica de produção dos alimentos para a festa, será articulada, principalmente, sobre os referenciais de Richard Schechner, incorrendo à noção de comportamento restaurado. Neste sentido, busco indicar a relação que é estabelecida entre as performances produzidas e a identidade do grupo, uma identidade estratégica que é acionada na construção deste tipo de festa. Da percepção da identidade étnica italiana, compreendida como não única nem fixa, emergem elementos que reportam às relações sociais e culturais amparadas numa perspectiva histórica e nas memórias construídas sobre a imigração nesta região. Neste percurso, o corpo se torna um suporte desta cultura, o eixo pelo qual se apresentam as identidades em performance, em especial, a identidade étnica italiana no contexto das Festas de Capela.

trabalho completo [clique aqui]

 

Os maracatus adentram a avenida: Performances e rearranjos identitários na cidade de Fortaleza

28/01/2010 Comentários desativados

Danielle Maia Cruz
doutoranda em sociologia
Universidade Federal do Ceará

resumo Tenciono apresentar a pesquisa etnográfica que venho desenvolvendo, para o doutorado, com grupos de maracatus na cidade de Fortaleza, Ceará. Em estreito diálogo com autores como Victor Turner, Stanley Tambiah e Marcel Mauss a presente comunicação objetiva discutir acerca dos atos performáticos dos brincantes de maracatus que se apresentaram na cidade de Fortaleza no Carnaval do ano 2008 e 2009. Trata-se de desfiles fomentados pela Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR) cujo objetivo é, dentre outras coisas, “promover um carnaval que dispense trios elétricos e opte pela tradição”, conforme destacou a presidente da SECULTFOR. Subjacente a essas questões está a finalidade da atual gestão em promover idéias acerca de Fortaleza que a associem a uma cidade cultural, voltada às festas populares, desconstruindo imagens que a relacionam somente às belezas naturais, como as de seu litoral. Para tanto, o Carnaval é o período eleito pela gestão para que ocorram apresentações de determinadas manifestações populares como, por exemplo, os desfiles de maracatus na avenida Domingos Olímpio. O ponto a reter aqui é que para que os maracatus sejam contemplados com o apoio financeiro viabilizado pela prefeitura é solicitado pelo poder público que os brincantes tinjam a face de negrume, que apresentem na composição de seus grupos alas com negros, índios, reis e rainhas, dentre outros. Compreendo tais apresentações como relevantes momentos rituais em que os brincantes com suas máscaras e demais performances expressam suas visões de mundo, o que permite pensar sobre a resignificação de identidades culturais em Fortaleza.

trabalho completo [clique aqui]

Samba e choro em Brasília: os músicos, as notas e a cena musical na capital federal

28/01/2010 Comentários desativados

João Carlos de Souza Peçanha
graduando em sociologia
Universidade de Brasília

resumo Analisa os contextos sociais da prática dos gêneros musicais denominados “choro” e “samba” em Brasília/DF. Para isso, buscou-se entender, primordialmente, as diversas relações que envolvem os músicos, público e profissionais ligados a esses gêneros, Destaca o surgimento de uma identidade brasiliense no tocar choro – o “Choro Progressivo” – que influencia outros gêneros praticados na cidade. Após exposição de idéias presentes na literatura sobre samba e choro – e de recentes trabalhos sobre os gêneros em Brasília -, são discutidos temas como a tensão entre a prática profissional e a artesanal da música, os conceitos de síncope rítmica e melódica, a importância da roda para a vivência dos gêneros de matriz africana e também como principal ferramenta de transmissão de conhecimento prático, no exercício da oralidade. Apoiando-se na experiência gerada pela prática do campo, da observação participante – como professor, aluno e músico –, busca fazer novas considerações sobre o fenômeno musical em questão. A atuação do Clube do Choro de Brasília como dinamizador cultural, a relação entre a cena musical brasiliense e a carioca. Através de conceitos como identidade e performance, visa explicar a motivação dos jovens que estão a frente desse movimento.

trabalho completo [clique aqui]