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Liminaridade e inversão no carnaval do Sul

28/01/2010 Comentários desativados

Thiago Silva de Amorim Jesus
doutorando em ciências da linguagem | Universidade do Sul de Santa Catarina

resumo O presente trabalho integra a pesquisa final do Curso de Mestrado em Ciências da Linguagem do PPGCL da Universidade do Sul de Santa Catarina, realizado com subsídio parcial de Bolsa CAPES-PROSUP, entre julho de 2007 e abril de 2009, com pesquisa nas cidades de Uruguaiana e Pelotas – Rio Grande do Sul. Trata-se de um estudo exploratório de caráter descritivo e analítico que se apoiou no método antropológico de investigação (observação participante). Objetivou-se uma análise para compreender de que modo o carnaval engendra a noção de liminaridade, organizando-se mediante ritos preliminares, liminares e pós-liminares; e, também, pretendeu-se investigar como o princípio da inversão se apresenta como mecanismo articulador neste contexto ritual. Para tanto, tomou-se como base as contribuições de Arnold Van Gennep e Victor Turner, e também de Roberto Da Matta. A idéia de liminaridade pode ser constatada pelo relato dos sujeitos quando os mesmos se utilizam de termos como imprecisão, passagem, dificuldade de definição, invisibilidade e transição para definir como se sentem durante o desfile, características peculiares à condição liminar. Sobre inversão, vale considerar que se trata de um mecanismo próprio do carnaval, o qual apresenta uma série de inversões, sendo uma das que mais chama à atenção a inversão constituída entre o desfilante e a figura que ele representa (trabalhador – rei; homem – mulher), fazendo com que o carnaval possa ser entendido como um rito de inversões.

trabalho completo [indisponível]

Os liminares dentro da liminaridade: matutos e feiticeiras nas performances dos Pássaros Juninos de Belém (PA)

28/01/2010 Comentários desativados

Eliane Suelen Oliveira da Silva
mestranda em antropologia
bolsista Cnpq
Universidade Federal do Pará

resumo Os Pássaros Juninos ou Melodrama-Fantasia são uma brincadeira popular paraense que, composta pelo conjunto de teatro, música e dança, é apresentada em espaços públicos e privados durante a época junina. Os papéis brincados são de nobres, índios, matutos, feiticeiras e seres encantados, além do pássaro e do caçador, que tenta abater o animal. As tramas passeiam entre o melodrama e o cômico, abordando questões como família, conflitos amorosos e religiosidade. A partir de instrumentais teórico-metodológicos propostos por Victor Turner em sua antropologia da performance, o objetivo da comunicação será o de prestar reflexões sobre esta brincadeira, destacando uma análise de personagens que possuem condutas liminares nas narrativas brincadas: os matutos e as feiticeiras. Os primeiros, que agregam comicidade às histórias, são zombeteiros, medrosos e repletos de vícios, mormente sexuais, expressos em diálogos que exploram o duplo sentido e a subversão. Ao mesmo tempo são ingênuos e facilmente manipuláveis, sobretudo pelas feiticeiras. Estas, por sua vez, são mulheres poderosas e vaidosas, que amedrontam e seduzem simultaneamente. Através da prática de rituais, que evocam a pajelança e a umbanda, promovem tanto benesses quanto desordem social. Trata-se, portanto, de uma análise dos liminares (matutos e feiticeiras) dentro da liminaridade (performances dos pássaros juninos), onde sugiro, subsidiada por Turner, que tal brincadeira é uma agência de reflexividade sobre a cultura paraense.

trabalho completo [clique aqui]