Archive

Posts Tagged ‘música’

Festa de São João: a performance como construtora da identidade étnica dos remanescentes quilombolas em São Domingos, Paracatu (MG)

28/01/2010 Comentários desativados

Vandeir José da Silva
mestrando em história cultural
TRANSE | Universidade de Brasília

resumo Esse trabalho tem como objetivo analisar a dança de Caretagem enquanto espaço de performance e reconstrução da identidade étnica dos negros na comunidade remanescente de quilombo em São Domingos, Paracatu (MG). Para a pesquisa, utilizou-se de etnografia, onde foram feitas gravações e fotografias durante a Festa de Caretagem. Adotou-se também diário de campo. A identidade étnica dos Caretas é reconstruída através da música e dança no espaço da Festa promovida anualmente pela comunidade. Essa vivencia no dia 23 para 24 de junho tornou-se local de memórias compartilhadas e repassadas de geração em geração. Os 30 homens mascarados sendo a metade caracterizados de cavalheiros e a outra de damas, dançam pelas casas da comunidade durante toda a noite, possibilitando a reconstrução da identidade étnica sendo percebida no renovar dos passos e fantasias que ocorrem de um ano para outro. Dessa maneira é celebrada uma homenagem para São João Batista, um espetáculo que envolve sagrado, profano, música, dança, máscara, cor e alegria na noite de São João Batista.

trabalho completo [clique aqui]

Sonoridades e performance no contexto ritual – o caso do candomblé queto

28/01/2010 Comentários desativados

Jorge Luiz Ribeiro de Vasconcelos
doutorando em Música
Instituto de Artes | Universidade de Campinas

resumo No contexto ritual das religiões afro-brasileiras música, rito e mito se articulam em uma complexa liturgia na qual uma série de elementos se agregam para compor performances rituais bastante expressivas. Partindo de um ponto de observação que enfatiza as percepções das sonoridades, ou seja, que mais do que musicológico se coloca como musical, observam-se intricadas e muito imbricadas relações entre sonoridades e movimentos corporais, momentos rituais, trechos de narrativas míticas e outros elementos desta complexa e estonteante trama sensorial que é uma Festa de Candomblé. A proposta desta comunicação é, através da descrição e análise de um momento ritual bastante específico, propor uma reflexão – e sugerir um apuro do foco perceptivo – sobre as articulações entre som, movimento, liturgia e mito, que compõem a expressão sensível das concepções religiosas, vivenciadas como performances, nos seus sentidos de “finalização de um processo” ou de algo que “completa uma experiência” (DAWSEY, 2007). O momento em questão é de um “transe de possessão” (ROUGET, 1985) do orixá Ogum, observado e documentado na casa de candomblé Ilè Asè Alaketú Omo Oyá Asè Osun, localizada na cidade de São Vicente, SP, em uma festa pública em homenagem ao orixá em questão. Compartilhar uma maneira musical de observá-lo e descrevê-lo, buscando elementos nos estudos da Antropologia da Performance para potencializar esta e futuras aproximações, é, portanto, a proposta central desta comunicação.

trabalho completo [indisponível]

O que a música faz na capoeira angola?

28/01/2010 Comentários desativados

Maria Eugênia Dominguez
doutora em antropologia social
MUSA | Universidade Federal de Santa Catarina

resumo O jogo da capoeira se realiza através dos movimentos corporais de dois jogadores. Esse jogo, porém, somente acontece depois de uma música que o pauta. Nesta comunicação oral, descreve-se as formas em que a música pauta os diferentes jogos e as relações entre o improviso musical e os movimentos corporais, que se afetam reciprocamente. Por sua vez, examina-se a criação de diferenças ético-estéticas através das diferentes musicalidades no universo da capoeira, configurando a constelação de grupos que se ordenam no continuo angola-regional. Finalizando, a performatividade da música é pensada em relação ao plano das políticas culturais, sendo a música um dos elementos fundamentais nas descrições da artisticidade da capoeira (que contrastam com as concepções que salientam a sua esportividade), artisticidade esta que é vital na definição da capoeira como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Com base na perspectiva desenvolvida pelos estudos antropológicos da música, examinam-se as práticas musicais na sua relação com a definição de categorias sociais, de relações entre grupos, de corpos e subjetividades, propondo uma reflexão sobre a performatividade da música na prática da capoeira angola.

trabalho completo [clique aqui]

As performances de trova galponeira em situações distintas: A roda de trova e os concursos

28/01/2010 Comentários desativados

Gisela Reis Biancalana
mestre em artes
Universidade Federal de Santa Maria

resumo O foco deste estudo foi uma manifestação artístico-cultural popular: a trova galponeira praticada no Rio Grande do Sul. A investigação destes acontecimentos performáticos, voltou-se para as diferenças observadas nas duas situações encontradas em pesquisa de campo: a roda de trova e os eventos competitivos. A Trova é uma poesia cantada no improviso. Suas performances são realizadas em desafio por dois ou mais trovadores e acompanhadas por músicos que tocam o acordeom. A roda de trova acontece a partir de formações espontâneas de trovadores, em acontecimentos festivos, ou em reuniões de amigos e familiares. Aqui as performances não têm tempo delimitado podendo estender-se por horas. O assunto vai tomando consistência até esgotar um dos desafiantes que propõe o verso de despedida, completado pelo adversário. Estas performances são marcadas pela alegria e liberdade de expressão. Existem também os eventos competitivos que possuem regras gerando cobranças de pontos. Estas performances, além de premiar financeiramente os vencedores, dotam-nos de status social perante o grupo. Elas são cobertas pela pressão dos jurados e dos adversários, o que provoca uma forte expectativa de acerto nos praticantes. Esta expectativa fomenta o esforço em busca da qualidade na elaboração da estrutura poética, bem como, na abordagem dos conteúdos. Assim, ao analisar suas performances notou-se que a trova gaúcha possui qualidades peculiares em cada uma das duas situações encontradas em campo.

trabalho completo [clique aqui]

A viola do diabo: notas sobre narrativas de pactos demoníacos no norte e noroeste mineiro

28/01/2010 Comentários desativados

Luzimar Paulo Pereira
doutor em antropologia cultural

resumo As narrativas sobre pactos com o diabo são importantes tópicos da vida musical, social e religiosa dos tocadores de viola de dez cordas do norte e noroeste do estado de Minas Gerais. Por um lado, elas apresentam, passo a passo, as regras de consecução do pacto e se caracterizam por serem bastante descritivas, apontando os lugares, os momentos e os objetos mais adequados à sua execução. São verdadeiras “receitas” para sua efetivação, apresentando um grande estoque de saberes relativos aos contatos com o diabo. Por outro lado, as narrativas também destacam o caráter pretensamente factual do evento. Para todos os efeitos, elas tratam de casos que se supõe terem ocorrido com alguém, num lugar e numa época específica. Dados referentes ao tempo, ao espaço e ao nome do personagem fornecem os parâmetros responsáveis por enquadrar uma pessoa que, viva ou morta, mantém ou manteve relações sociais efetivas com aquele que conta a história. Meu objetivo com esta apresentação é descrever e analisar alguns dos significados sociais e simbólicos dos relatos sobre pactos. Noutros termos, eu estou preocupado em entender de que modo as receitas e as histórias de supostos pactários se articulam no sentido de construir a figura pública de um tocador. Meu argumento é o de que os relatos são performances orais responsáveis por engendrar um campo de disputas específico, onde os violeiros e seus aliados se enfrentam em torno de suas reputações.

 trabalho completo [clique aqui]

White Metal, o Heavy Metal “do bem”. Um estudo sobre as adaptações estéticas e performáticas do metal cristão

28/01/2010 Comentários desativados

Patrícia Barbosa Villar
mestranda em antropologia social
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social | Universidade Federal do Paraná

resumo O Heavy Metal surgiu nos anos 70 inserido em um contexto subversivo. Suas letras abordavam (e abordam) temas como a violência, a revolta, a não-religião e alguns anos depois, se transformou num marco para a expressão do satanismo. Polêmico no meio musical, o próprio Rock`nRoll – sempre tido como “a música do diabo”- e o satanismo, foram levados a sério por muitos artistas que estenderam a ideologia anticristã para além das composições. Os shows se tornam lócus para a experiência do grupo e neles as performances do artista e do público se tornam encenações de possíveis crenças num contexto de contestação e rebeldia, onde adeptos escutam a música e constroem coletivamente uma “dança” sincronizada – com expressões faciais de ira, guitarras imaginárias, cabelos sendo jogados para frente e para trás, o sinal do “chifre do demônio” nas mãos e acessórios com símbolos místicos.

O White metal mostra-se como uma adaptação do Metal; uma das ramificações do estilo. Sua estética parece ter surgido com a proposta de inserir novo “conteúdo” às formas musicais e performáticas dos “pagãos”, adaptando temas e letras voltadas ao cristianismo. A “música do diabo” entre os cristãos tem sido, então, um poderoso veículo de uma atuação que ainda não está esclarecida. O projeto de pesquisa visa descrever e etnografar essas ressignificações, reinvenções e adaptações, do ponto de vista performático, dos headbangers cristãos. São gestos proibidos e readaptados, símbolos não utilizados, roupas não vestidas e traços da cultura do Metal que foram deixados de lado, moldados para o meio religioso.

 trabalho completo [clique aqui]

Samba e choro em Brasília: os músicos, as notas e a cena musical na capital federal

28/01/2010 Comentários desativados

João Carlos de Souza Peçanha
graduando em sociologia
Universidade de Brasília

resumo Analisa os contextos sociais da prática dos gêneros musicais denominados “choro” e “samba” em Brasília/DF. Para isso, buscou-se entender, primordialmente, as diversas relações que envolvem os músicos, público e profissionais ligados a esses gêneros, Destaca o surgimento de uma identidade brasiliense no tocar choro – o “Choro Progressivo” – que influencia outros gêneros praticados na cidade. Após exposição de idéias presentes na literatura sobre samba e choro – e de recentes trabalhos sobre os gêneros em Brasília -, são discutidos temas como a tensão entre a prática profissional e a artesanal da música, os conceitos de síncope rítmica e melódica, a importância da roda para a vivência dos gêneros de matriz africana e também como principal ferramenta de transmissão de conhecimento prático, no exercício da oralidade. Apoiando-se na experiência gerada pela prática do campo, da observação participante – como professor, aluno e músico –, busca fazer novas considerações sobre o fenômeno musical em questão. A atuação do Clube do Choro de Brasília como dinamizador cultural, a relação entre a cena musical brasiliense e a carioca. Através de conceitos como identidade e performance, visa explicar a motivação dos jovens que estão a frente desse movimento.

trabalho completo [clique aqui]