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Posts Tagged ‘oralidade’

Lev S. Vygotsky (1896 – 1934) e o Teatro: Revelações

28/01/2010 Comentários desativados

Edlúcia Robélia Oliveira de Barros
graduada em pedagogia
graduanda em artes cênicas
Rede Goiana de Pesquisa Performances Culturais

resumo Este artigo apresenta os primeiros resultados do projeto de pesquisa em andamento, que tem como objeto os estudos do teatrólogo e psicólogo Lev S. Vygotsky (1896 – 1934), sobre a articulação do pensamento e da linguagem, que aborda, dentre outras, a questão relativa ao pensamento que se elabora por trás das palavras faladas ou do subtexto, presentes nas atividades humanas, algo que, segundo o autor, havia sido sistematizado anteriormente pelo teatrólogo Constantin Stanislavski (1865-1938), no seu trabalho com atores.

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Escutar, escutar, escutar… um caminho para a construção poética

28/01/2010 Comentários desativados

Meran Vargens
pós-doutoranda em artes
Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas | Escola de Teatro | Universidade Federal da Bahia

resumo Este trabalho estabelece elos entre o processo de construção do roteiro do documentário “Vozes do Baixo Sul” (em produção para o IRDEB – TVE-BA no qual sou atriz e roteirista) e a pesquisa intitulada “Causos Daqui: estudo teórico-prático em Performance, Oralidade e Histórias de Vida na construção de dramaturgia original cênica como proposta pedagógica para a formação vocal do ator-criador”. Em ambos, o processo condutor da criação é a escuta sensível. Trata-se de refletir sobre os modos de buscar, de encontrar, de escolher e de criar vínculos entre vozes e falas para tecer significados na construção poética. Desta forma o documentário é encarado como um primeiro experimento para o levantamento de questões, sugestões e análises dos modos de proceder da pesquisa quanto ao ato de escutar e de provocar a fala do outro incentivando a expressão e a exposição de si; de gerar temáticas ao interagir na pesquisa de campo onde se deram e se darão os procedimentos de coleta de histórias de vida; dos aspectos da vocalidade e da oralidade tocando a percepção do autor/ator/criador.

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Códigos e significações da performance oral: em torno da experiência estética

28/01/2010 Comentários desativados

Marcelo de Andrade Pereira
doutor em educação
Universidade Federal de Santa Maria

resumo Esta pesquisa apresenta o período que vai do medievo até a renascença como constituindo um modelo exemplar para se pensar a performance oral, sobretudo porque nele, nesse lugar específico da história, a palavra (comportando sua sonoridade) desempenha dois papéis, enquanto transmissora, a palavra corporifica e comunica uma matéria, uma substância, um sentimento. Transmissão, nesse sentido, significa também contaminação. Com efeito, tanto na trova medieval – no jogo do amor cortesão – quanto no teatro elisabetano, o ato de comunicar, de falar parece-nos deveras afetado. Neste lugar histórico em que a palavra encontra um termo final e não apenas mediador, falar significa atuar, tornar vivo, visto que, na palavra, exprime-se o conjunto de elementos não verbais e não sígnicos – materializados na voz, nos gestos, no uso da palavra – que a envolvem e que, não por acaso, a dinamizam. Tais elementos dizem respeito, sobretudo, à performance – transposta numa espécie de ritualização da fala: um procedimento, um modo de abordagem, de se pôr da palavra que coopera para o estabelecimento de uma atmosfera, de um clima, de uma tonalidade afetiva que hiper-dimensiona a própria palavra e os sentidos por ela ventilados. Este trabalho, de caráter multidisciplinar, busca investigar os sentidos e códigos da performance oral em vista da experiência estética. Conta com os seguintes operadores teóricos: Zumthor, Gumbrecht, Agambem, Bauman, Turner e Schechner.

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“A palavra dita que é canção e a frase cantada que é fala” Maria Knébel e Stanislavsky sobre a performance oral

28/01/2010 Comentários desativados

Adriana Fernandes
doutora em etnomusicologia
Departamento de Artes Cênicas | Universidade Federal da Paraíba
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais
Robson Corrêa de Camargo
doutor em artes cênicas
Universidade Federal de Goiás
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais
Michel Mauch Rosa
graduando em artes cênicas | bolsista PIBIC/CNPq
Universidade Federal de Goiás
Rede Goiana de Pesquisa em Performances Culturais

 

resumo O presente trabalho levanta e discute alguns aspectos relevantes do treinamento da fala do ator apresentados por María Ósipovna Knébel em La Palabra en la Creación Actoral (2000). A autora foi discípula de Stanislavsky, colaboradora de Vajtángov e Chéjov e depois dirigiu e ensinou vários artistas russos. O trabalho faz uma resenha breve sobre o conteúdo do livro e então foca em seus três mais extensos capítulos: Análise por meio da ação; Técnica e lógica da fala; e Tempo-ritmo. Como o diretor russo faz várias menções e aproximações entre o trabalho da fala do ator com a estrutura musical, é sob a perspectiva musical na composição da fala, que interpretamos os apontamentos deixados por Knébel.

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Música e oralidade, estética e ética: as cantigas no ritual e performance da capoeira angola

28/01/2010 Comentários desativados

Rosa Maria Araújo Simões
doutora em ciências sociais
Departamento de Artes e Representação Gráfica | Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho”

resumo A música na capoeira angola é uma linguagem que organiza os códigos de conduta, orientando, por sua vez, as atitudes dos (as) capoeiras no ritual da roda. Há uma hierarquia na disposição dos instrumentos musicais e de seus respectivos tocadores. Dos três berimbaus existentes numa roda de capoeira angola, o berimbau “berra-boi”, que possui o som mais grave, está no ápice da hierarquia e é geralmente tocado pelo mestre (guardião) ou alguém mais próximo do mestre, levando em consideração a hierarquia (com o sentido de mais experiência e sabedoria) na capoeira; em seguida, temos o berimbau “médio”, que tem o som médio e, o viola com o som mais agudo. Além dos três berimbaus, também compõem a bateria, um ou dois pandeiros, um reco-reco, um agogô e um atabaque. A mesma hierarquia vale para o canto, ou seja, o mestre também será o cantador da ladainha – canto de entrada, dos corridos e comandará todo o processo ritual. Sob a perspectiva da antropologia da performance foi realizada uma etnografia com grupos de capoeira angola em Salvador – Bahia e em São Paulo (sobretudo com o Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia de João Pequeno de Pastinha sob direção de Mestre Pé de Chumbo), com o objetivo de analisar tradicionais cantigas de capoeira, com especial enfoque nas ladainhas. Vale destacar que quando uma ladainha é cantada, dois jogadores se encontram no “pé-do-berimbau” para “ouvir o ensinamento”, momento em que é possível delinear o jogo que irá acontecer.

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A viola do diabo: notas sobre narrativas de pactos demoníacos no norte e noroeste mineiro

28/01/2010 Comentários desativados

Luzimar Paulo Pereira
doutor em antropologia cultural

resumo As narrativas sobre pactos com o diabo são importantes tópicos da vida musical, social e religiosa dos tocadores de viola de dez cordas do norte e noroeste do estado de Minas Gerais. Por um lado, elas apresentam, passo a passo, as regras de consecução do pacto e se caracterizam por serem bastante descritivas, apontando os lugares, os momentos e os objetos mais adequados à sua execução. São verdadeiras “receitas” para sua efetivação, apresentando um grande estoque de saberes relativos aos contatos com o diabo. Por outro lado, as narrativas também destacam o caráter pretensamente factual do evento. Para todos os efeitos, elas tratam de casos que se supõe terem ocorrido com alguém, num lugar e numa época específica. Dados referentes ao tempo, ao espaço e ao nome do personagem fornecem os parâmetros responsáveis por enquadrar uma pessoa que, viva ou morta, mantém ou manteve relações sociais efetivas com aquele que conta a história. Meu objetivo com esta apresentação é descrever e analisar alguns dos significados sociais e simbólicos dos relatos sobre pactos. Noutros termos, eu estou preocupado em entender de que modo as receitas e as histórias de supostos pactários se articulam no sentido de construir a figura pública de um tocador. Meu argumento é o de que os relatos são performances orais responsáveis por engendrar um campo de disputas específico, onde os violeiros e seus aliados se enfrentam em torno de suas reputações.

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