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Posts Tagged ‘tradição’

A estética dos contrastes no carnaval das escolas de samba: a continuidade no espetáculo da mudança

28/01/2010 Comentários desativados

Renata de Sá Gonçalves
doutora em antropologia cultural
bolsista PRODOC/Capes
Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia | Universidade Federal do Rio de Janeiro

resumo Mestre-sala e porta-bandeira, únicos qualificados a portarem o maior símbolo de uma escola de samba, exaltam a imagem de um casal de nobres bailando um minueto. No solo ritual em que carros alegóricos, alas, bateria evoluem linearmente, uma conotação estética específica do casal, que gira com a bandeira, engendra interações de respeito, modos nobres e tradicionais de se comunicar e de se relacionar. Para a análise dessa performance, usarei a idéia dos contrastes e dos interstícios presentes na dança do casal em relação ao próprio idioma do desfile carnavalesco. No plano da temporalidade, pretendo demonstrar como a atuação do mestre-sala e da porta-bandeira propõe uma conversa entre diferentes modos de temporalidade e problematiza ritualmente a própria idéia da duração de uma tradição. Cabe investigar nos sentidos dados pela performance do casal o lugar crítico e surpreendente desse elemento de permanência. Os níveis de significação da passagem do tempo promovem a reflexão sobre o risco da existência da escola e, por isso, a cada ano, é necessário “defender a sua bandeira”. Tal defesa não se faz de modo agressivo, mas de maneira bela e emocionante, aquela que ao longo dos carnavais produziu uma “criatividade conservadora”.

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Dançando – e inventando – uma tradição

28/01/2010 Comentários desativados

Luciana Hartmann
doutora em antropologia social
Departamento de Artes Cênicas | Universidade de Brasília

resumo Esta comunicação apresenta as primeiras incursões de uma pesquisa sobre a dança “tradicional” Cacuriá, mais especificamente, sobre o grupo Cacuriá Filha Herdeira, sediado em Brasília/DF. O Cacuriá é uma dança folclórica maranhense, criada sob encomenda – segundo contam os descendentes de seus fundadores, Dona Filoca e Seu Lauro – há 34 anos, visando fornecer uma alternativa ao folclore local, marcado fundamentalmente pela tradição do Boi Bumbá. De acordo com estes relatos, a dança foi criada a partir do Carimbó de Caixas (instrumento de batuque), que era tocado após término da Festa do Espírito Santo, na chamada Festa do Lava Prato. A dança caracteriza-se por uma coreografia organizada a partir de duplas (casais), pelo forte ritmo marcado pelos tambores e pelo canto dos músicos, pela movimentação corporal sinuosa dos dançarinos e pela alegria que inevitavelmente atinge o público, sempre em que este é chamado a participar das apresentações. Há 17 anos o Filha Herdeira foi criado em Brasília, pela filha de Dona Filoca, Dona Elisene, falecida em 2008. Atualmente são os filhos de Dona Elisene que procuram perpetuar a tradição, a despeito das dificuldades encontradas pelo Grupo. Este trabalho, pautado em experiência prática junto ao Grupo e nos referenciais teóricos oferecidos pela Antropologia da Performance, almeja hipóteses que permitam a compreensão da dinâmicas de criação, re-criação, transformação e contaminação da tradição performática presentes no Cacuriá.

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Samba e choro em Brasília: os músicos, as notas e a cena musical na capital federal

28/01/2010 Comentários desativados

João Carlos de Souza Peçanha
graduando em sociologia
Universidade de Brasília

resumo Analisa os contextos sociais da prática dos gêneros musicais denominados “choro” e “samba” em Brasília/DF. Para isso, buscou-se entender, primordialmente, as diversas relações que envolvem os músicos, público e profissionais ligados a esses gêneros, Destaca o surgimento de uma identidade brasiliense no tocar choro – o “Choro Progressivo” – que influencia outros gêneros praticados na cidade. Após exposição de idéias presentes na literatura sobre samba e choro – e de recentes trabalhos sobre os gêneros em Brasília -, são discutidos temas como a tensão entre a prática profissional e a artesanal da música, os conceitos de síncope rítmica e melódica, a importância da roda para a vivência dos gêneros de matriz africana e também como principal ferramenta de transmissão de conhecimento prático, no exercício da oralidade. Apoiando-se na experiência gerada pela prática do campo, da observação participante – como professor, aluno e músico –, busca fazer novas considerações sobre o fenômeno musical em questão. A atuação do Clube do Choro de Brasília como dinamizador cultural, a relação entre a cena musical brasiliense e a carioca. Através de conceitos como identidade e performance, visa explicar a motivação dos jovens que estão a frente desse movimento.

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