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Archive for the ‘sessão 3’ Category

Poesia e peregrinação Kalunga: a letra, a voz e o mastro do Divino Espírito Santo

28/01/2010 Comentários desativados

Augusto Rodrigues
Professor Adjunto de Literatura Brasileira | Universidade de Brasília
TRANSE | Universidade de Brasília

 

resumo Este trabalho analisa gêneros poéticos, típicos do festejo quilombola da Comunidade Kalunga (nordeste de Goiás). A partir de canções (Suça) e disputas (“Verso”) coletadas em uma Festa do Divino Espírito Santo, ao pé do mastro, faremos uma análise histórica, simbólica, cronística e poética dessa comunidade. Analisando os temas e as performances, a letra e a voz dos foliões, à roda dos portadores da tradição, podemos distinguir elementos da cultura do grupo, práticas sincréticas e questões ligadas à tradição numa festa móvel cuja força social e religiosa realça-se pelo motivo da peregrinação.

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Sonoridades e performance no contexto ritual – o caso do candomblé queto

28/01/2010 Comentários desativados

Jorge Luiz Ribeiro de Vasconcelos
doutorando em Música
Instituto de Artes | Universidade de Campinas

resumo No contexto ritual das religiões afro-brasileiras música, rito e mito se articulam em uma complexa liturgia na qual uma série de elementos se agregam para compor performances rituais bastante expressivas. Partindo de um ponto de observação que enfatiza as percepções das sonoridades, ou seja, que mais do que musicológico se coloca como musical, observam-se intricadas e muito imbricadas relações entre sonoridades e movimentos corporais, momentos rituais, trechos de narrativas míticas e outros elementos desta complexa e estonteante trama sensorial que é uma Festa de Candomblé. A proposta desta comunicação é, através da descrição e análise de um momento ritual bastante específico, propor uma reflexão – e sugerir um apuro do foco perceptivo – sobre as articulações entre som, movimento, liturgia e mito, que compõem a expressão sensível das concepções religiosas, vivenciadas como performances, nos seus sentidos de “finalização de um processo” ou de algo que “completa uma experiência” (DAWSEY, 2007). O momento em questão é de um “transe de possessão” (ROUGET, 1985) do orixá Ogum, observado e documentado na casa de candomblé Ilè Asè Alaketú Omo Oyá Asè Osun, localizada na cidade de São Vicente, SP, em uma festa pública em homenagem ao orixá em questão. Compartilhar uma maneira musical de observá-lo e descrevê-lo, buscando elementos nos estudos da Antropologia da Performance para potencializar esta e futuras aproximações, é, portanto, a proposta central desta comunicação.

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O que a música faz na capoeira angola?

28/01/2010 Comentários desativados

Maria Eugênia Dominguez
doutora em antropologia social
MUSA | Universidade Federal de Santa Catarina

resumo O jogo da capoeira se realiza através dos movimentos corporais de dois jogadores. Esse jogo, porém, somente acontece depois de uma música que o pauta. Nesta comunicação oral, descreve-se as formas em que a música pauta os diferentes jogos e as relações entre o improviso musical e os movimentos corporais, que se afetam reciprocamente. Por sua vez, examina-se a criação de diferenças ético-estéticas através das diferentes musicalidades no universo da capoeira, configurando a constelação de grupos que se ordenam no continuo angola-regional. Finalizando, a performatividade da música é pensada em relação ao plano das políticas culturais, sendo a música um dos elementos fundamentais nas descrições da artisticidade da capoeira (que contrastam com as concepções que salientam a sua esportividade), artisticidade esta que é vital na definição da capoeira como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Com base na perspectiva desenvolvida pelos estudos antropológicos da música, examinam-se as práticas musicais na sua relação com a definição de categorias sociais, de relações entre grupos, de corpos e subjetividades, propondo uma reflexão sobre a performatividade da música na prática da capoeira angola.

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Música e oralidade, estética e ética: as cantigas no ritual e performance da capoeira angola

28/01/2010 Comentários desativados

Rosa Maria Araújo Simões
doutora em ciências sociais
Departamento de Artes e Representação Gráfica | Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho”

resumo A música na capoeira angola é uma linguagem que organiza os códigos de conduta, orientando, por sua vez, as atitudes dos (as) capoeiras no ritual da roda. Há uma hierarquia na disposição dos instrumentos musicais e de seus respectivos tocadores. Dos três berimbaus existentes numa roda de capoeira angola, o berimbau “berra-boi”, que possui o som mais grave, está no ápice da hierarquia e é geralmente tocado pelo mestre (guardião) ou alguém mais próximo do mestre, levando em consideração a hierarquia (com o sentido de mais experiência e sabedoria) na capoeira; em seguida, temos o berimbau “médio”, que tem o som médio e, o viola com o som mais agudo. Além dos três berimbaus, também compõem a bateria, um ou dois pandeiros, um reco-reco, um agogô e um atabaque. A mesma hierarquia vale para o canto, ou seja, o mestre também será o cantador da ladainha – canto de entrada, dos corridos e comandará todo o processo ritual. Sob a perspectiva da antropologia da performance foi realizada uma etnografia com grupos de capoeira angola em Salvador – Bahia e em São Paulo (sobretudo com o Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia de João Pequeno de Pastinha sob direção de Mestre Pé de Chumbo), com o objetivo de analisar tradicionais cantigas de capoeira, com especial enfoque nas ladainhas. Vale destacar que quando uma ladainha é cantada, dois jogadores se encontram no “pé-do-berimbau” para “ouvir o ensinamento”, momento em que é possível delinear o jogo que irá acontecer.

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